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  • Ághata Ramos, Agência Yaih

UM ROBÔ VAI TE SUBSTITUIR?






A arte está presente na vida do ser humano há milhares de anos, desde a época em que os Neandertais pintavam nas paredes das cavernas passando pelos hieróglifos no Egito até a era moderna.

A arte sempre foi uma forma de expressão e de comunicação baseada na necessidade do ser humano de refletir seus pensamentos, seus medos, anseios e crenças. Em 1950, o russo Isaac Asimov escreveu o livro "Eu,Robô" revolucionando a literatura como

a conhecemos. Em uma coletânea de contos, Isaac estabelece os conceitos da robótica atuais, um regimento de princípios dos quais um robô deve seguir. Na adaptação cinematográfica de 2004, baseada no livro, o protagonista da trama levanta um questionamento: É possível um robô pintar um quadro? A pergunta parte do fundamento de que a arte necessita do sentimento, algo que somente os seres de carne possuem. Isaac Asimov foi um visionário, sua percepção de 72 anos atrás pode ser lida e encaixada em 2023 como uma luva e talvez, a cada ano que se passe ela faça mais sentido.

A famosa I.A (Inteligência Artificial) evoluiu ao passo de que nos surpreendemos com sua autonomia. Em 2022 as redes sociais foram tomadas por fotos em diversos estilos, algumas em ilustrações no estilo mangá e outras mais humanas, mais fidedignas. Rostos em cenários de fantasia, no espaço em forma andrógena ou em cenários simples. Nossos rostos. O que essas imagens têm em comum? Todas elas foram criadas por uma Inteligência Artificial, com base em um número de fotos cedidas pelo usuário. A I.A mapeia os traços físicos e cria ilustrações novas de seu usuário, com diversos cenários e poses diferentes. O nome do aplicativo é Lensa e inicialmente sua proposta era ser somente um editor de fotos. Fundado em 2018, explodiu mesmo em 2022 após ganhar a função "Magic Avatars”, que é responsável pela criação dos avatares realistas. São necessários apenas alguns minutos e dezenas de ilustrações são feitas. A funcionalidade dividiu algumas opiniões, principalmente a respeito do uso de dados pessoais que o aplicativo exige para funcionar. Polêmicas à parte, muitos artistas vêm se sentindo preocupados com a chegada desse tipo de artifício visto que se estabelece uma concorrência complicada, a disputa com uma máquina que entrega imagens de alta qualidade por um valor baixo e em minutos.

Outros questionamentos surgem, assim como na Revolução Industrial sempre houve o temor de que o trabalho humano pudesse ser substituído pelas máquinas gerando desemprego. É fato de que muitas profissões deixaram de existir, tendo suas funções sendo realizadas por máquinas em grande escala, mas também houveram o surgimento de inúmeras novas profissões, cooperando para o surgimento de setores inteiros importantes para a economia desde 1800. As velas e os lampiões tiveram que dar lugar para as lâmpadas, as cartas para os celulares e as carroças para os carros. Apesar da ideia de uma escala evolutiva, a reflexão proposta é: Qual o limite? O que um Robô pode fazer? O que está dentro do nosso controle? Existe um controle? Qual a autonomia de um software? Se uma I.A é criada por humanos, ela pode refletir uma lógica humana em seu funcionamento? E por último: Qual o próximo passo?

A humanidade já botou os pés na lua, enviou satélites para o espaço e robôs em Marte. A medidas de novas respostas surgem novas perguntas, e elas são numerosas.

A priori, nos contentaremos com nossos rostinhos em artes bonitas e as compartilharemos, impressionados com a fidelidade que nossos traços são representados em fadas e astronautas. A expectativa dos próximos avanços é alta, mas ela amedronta.






texto de Ághata Ramos



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