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  • Rodrigo Seefeldt

O RIO SÃO LOURENÇO E A IMIGRAÇÃO GERMÂNICA DE SÃO LOURENÇO DO SUL

Texto de Rodrigo Seefeldt e Jairo Scholl



Quando nos debruçamos sobre o mapa geofísico do Estado do Rio Grande do Sul, e encontramos São Lourenço do Sul, não restam dúvidas que esta cidade e município são um presente da Lagoa dos Patos.


Todo o processo inicial de ocupação das terras de campos para pecuária iniciou pelas águas e não foi diferente com o processo imigratório germânico para a parte da Serra dos tapes no município de São Lourenço do Sul.


As grandes dificuldades de acesso por terra visto ser terreno íngreme, pedregoso e coberto de matas, fez com que as águas fossem o caminho natural para os imigrantes que desembarcavam no porto do Rio Grande em navios de longo curso e em seguida usassem a cabotagem lacustre para atingir suas esperadas terras na Serra dos Tapes.


Portanto, a existência do Rio São Lourenço, que desemboca na Lagoa dos Patos, atualmente na zona urbana de São Lourenço do Sul, foi o facilitador e impulsionador de toda a massa imigratória, que a bordo de escunas de vela carangueja, conhecidas por iates passaram a desembarcar no porto natural do Rio São Lourenço e daí rumo as terras altas das serranias lourencianas. 


Por este mesmo rio que se escoava a prodigiosa produção agrícola da Colônia de São Lourenço, rumo ao porto de Rio Grande, mais tarde para todos os portos da Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim, o que gerou um colossal desenvolvimento e capitais que levaram a criação do Município de São Lourenço do Sul


Quando a Colônia de São Lourenço foi fundada em 18 de janeiro de 1858, data que chegou a primeira leva de imigrantes, esta colônia foi a mais meridional das colônias germânicas do Brasil. A primeira colônia da Metade Sul do Rio Grande do Sul e onde pioneiramente foi edificada a primeira igreja de confissão luterana do Sul do Rio Grande o Sul, na localidade de Coxilha do Barão.


Com o progresso da vida agrária, principalmente no cultivo da batata-inglesa cuja técnica os imigrantes pomeranos lidavam com maestria, naturalmente passou a aumentar a vinda de imigrantes da Pomerânia para esta Colônia, de forma, que com o passar dos anos se tornou ao lado de Pomerode (SC) e Santa Maria do Jetibá (ES), uma das três maiores colônias pomeranas do Brasil, estimando-se que a massa imigratória que permaneceu em São Lourenço do Sul seja numa porcentagem superior a 81% de elementos de origem pomerana.


O crescimento foi de assim tão notável, que terras começaram a faltar na zona colonial de São Lourenço do Sul para os descendentes dos primeiros imigrantes, fazendo assim que se formasse um processo migratório, ou seja, os descendentes de pomeranos começaram a buscar terras nos municípios vizinhos de Pelotas, Canguçu, Camaquã, Turuçu e outras localidades para onde levaram a língua pomerana, tradições, usos e costumes.


Portanto, a Colônia de São Lourenço do Sul, além de ser o ponto indutor do desenvolvimento de São Lourenço do Sul, também se tornou a origem de milhares de descendentes de pomeranos que povoam diversos municípios da Serra dos Tapes, que por seu turno acabaram se beneficiando com esta salutar chegada de homens e mulheres dotados de iniciativa, coragem, disciplina e trabalho.

 






Rodrigo Seefeldt

(*) Jairo Scholl Costa é advogado, escritor e pesquisador.

(**) Rodrigo Seefeldt é condutor local de turismo e Bacharel em Desenvolvimento Rural.

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