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  • Laura Prado

Ambiental ainda é papo de bicho grilo?

Atualizado: há 4 dias


Quando os termos “ambiental”, “sustentável” ou “verde” surgem na roda de conversa, como você imagina o locutor desta mensagem? Uma pessoa de sandálias e roupas de linho, com barba por fazer ou cabelos por pintar? Alguém que acredita em uma conexão espiritual com a natureza e uma alimentação com base em produtos veganos? Talvez, neste cenário, possamos falar em casas no campo, decorações com redes e plantas, e até mesmo em um tambor ou violão.


Ainda que o imaginário coletivo tenda a acreditar que o meio ambiente é papo de bicho grilo, essa nossa visão está mais para o século passado do que para o presente.

Em verdade, posso afirmar com relativo grau de certeza que muitos dos indivíduos mais preocupados com a questão ambiental estão vestidos em seus ternos, sentados frente a (no mínimo) dois monitores, em suas salas localizadas em prédios arranha-céu e ambientadas por um ar condicionado potente. Existe algum problema nisso? Muito pelo contrário.

Apesar das brincadeiras tecidas com estes arquétipos, o ponto-chave desta reflexão gira em torno de desmistificar a pauta ambiental.


Hoje, falar em proteção ao meio ambiente já não é um papo de bicho grilo, militante, ou muito menos de cientistas que tecem teorias e previsões complexas e distantes da nossa realidade.


Gestores públicos, empresários, investidores, políticos e representantes de importantes instituições nacionais e internacionais “levantam essa bandeira”. Nem sempre por uma defesa ecológica essencialmente pura, mas por motivações econômicas, mercadológicas, sociais e de Direitos Humanos.


(Se o gato é preto ou branco, para mim, caçando rato é o que importa).


Há algumas décadas o mercado financeiro passou a considerar o “meio ambiente” nas decisões de investimento. Isto porque, no cenário atual, uma empresa com menor impacto ambiental e maior capacidade de resiliência na área demonstra-se logicamente um negócio mais seguro para uma injeção de $$, do que outra que sequer considera este fator como materialidade.


Tão mais evidente tornou-se a necessidade de inclusão e defesa da pauta ambiental frente aos desastres climáticos que ocorreram no Rio Grande do Sul. Diversas foram as provas no sentido de que, se consideradas as questões previamente pelos governos, talvez não tivéssemos presenciado proporções tão absurdas nestes eventos. Não dá para continuar achando que esta pauta de Estado seria mais adequada em uma roda de meditação seguida por aplausos ao pôr do sol, não é?


E digo mais, você se interessar pelo assunto e passar a tratá-lo com a devida importância não são ações que vão lhe impedir de comer carne, acreditar nos benefícios do agronegócio e muito menos parar de dirigir um carro movido a gasolina. Mas talvez lhe faça, como cidadão, tomar decisões mais conscientes.


Por fim, nada contra os bichos grilos, até porque quem me conheceu na adolescência viveu a época do brinco de pena e do apanhador de sonhos. Se tem algo, entretanto, que pessoalmente me motiva, é pensar e discutir o meio ambiente com muita ciência, tecnologia e estratégias aliadas.








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